EDUCAÇÃO POPULAR: ANIMAR É ESSENCIAL
O Instituto Cajamar ficava na Rodovia Anhanguera, meio isolado, a maioria de nós chegava de ônibus, então sair de lá para ir até a cidade não era possível sem uma carona, além disto, nos anos 90 não havia celular, ou seja, a comunicação não era fácil também.
Os cursos eram longos e formatados de modo ousado, 3 ou 4 módulos de 1 semana inteira de segunda a domingo ao longo de um ano, ou seja, era necessário muito foco para ficar uma semana inteira com pouco tempo para utilizar o telefone fixo ou o computador para um email rápido, ainda assim havia gente de norte a sul do país.
O que nos animava?
Hoje com as redes sociais inundando cada minuto de nossas vidas, é fácil encontrar pessoas em quase qualquer lugar do mundo, mas, até pouco tempo não, ligações interurbanas eram caras, as cartas nem sempre eram rápidas, e embora o email tenha ajudado muito, eles geralmente não eram pessoais, pois os computadores e o acesso a internet estavam concentrados nos escritórios das Organizações Sociais e Sindicais e nas "Lan Houses", então, a possibilidade de encontrar pessoas de movimentos diversos e regiões mais distantes era algo que enriquecia o conhecimento e animava a luta, além disto os cursos forneciam ferramentas preciosas para o fortalecimento das organizações e movimentos sociais.
Mas, é claro que deixar um grupo solto entre um encontro e outro podia ser um fator desmotivador, então sempre havia pessoas muito dedicadas a esta tarefa que servia de amálgama, para nos aproximar, nos juntar.
Fiz o curso em 1993, e agora olhando os materiais deste curso fui encontrando correspondências que ilustram bem a importância deste cuidado em manter o foco e animar o grupo a distância para que o reencontro seja rico e sem perdas, ou pelo menos, sem tantas perdas.
Aqui temos uma carta enviada pela Márcia, na época no CEAP - Rio de Janeiro, cuidando para que a tarefa não desandasse :
Mas entre uma e outra, também tinha as ousadias, como este Boletim, elaborado pela Tânia (Espírito Santo), que trazia algumas notícias, um poema, e uma bronca, afinal, não mandamos as notícias tão necessárias para formatar um boletim.
E deste modo o Movimento Popular vai se organizando e seu sucesso, seu crescimento e seu fortalecimento dependem de pessoas que conseguem juntar o que cada um, cada uma, tem pra oferecer e costura saberes, emoções, histórias e conhecimentos para que não se percam e principalmente para que se unam e se animem porque afinal de contas, as lutas continuam.
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